E aí ontem, eu me peguei pensando: "Quanto tempo que não escrevo!"
Mas também, escrever sobre o que? A falta de vontade e de inspiração,
muitas vezes me mata, e é aí que me dou conta que o recesso da escrita
também é importante.
E então, como que no susto, me lembro de que escrever me faz bem, me liberta a alma.
As vezes, chego em casa, cansado, mas dá uma súbita vontade de jogar
palavras no caderno, no computador, mas não sei como e nem porque a
vontade se esvai.
As vezes, durante o dia, me toma de assalto uma bela história sobre um
casal, que está vivendo um conto de fadas, ou histórias de amor
frustadas, ou histórias do cotidiano, que me enchem de vontade de
escrever, mas elas também se vão. A cabeça fica cheia de outras coisas, e
a ideia vai embora.
As vezes amedrontado e ansioso para por coisas no papel, não ponho, por
medo de julgamentos, ou pensamentos divergentes que as pessoas possam
ter. A imaginação é poderosa, e perigosa em alguns casos, pessoas criam
verdades dentro delas, sem conhecer fatos. E ai me lembro que ninguém
tem o direito de julgar ninguém e ainda assim, a vontade se esvai.
As vezes em manhãs de sol, que me enchem os olhos de grandes belezas, e
boas memórias e recordações, também não escrevo, porque a vontade se
esvai.
As vezes algumas fotografias me remetem a um passado, ou me transportam
para desejos de vidas futuras, me encho de energia e não consigo
escrever, porque a vontade se esvai.
As vezes em dias nublados, frios e cinzentos, a vontade de escrever me dá um susto, mas ela se esvai.
São essas vezes, nessas pequenas ocasiões de iluminação divina, muito mais que os grandes intervalos entre elas, que nos fazem quem somos. São essas vezes, e ainda muitas outras de que não me lembro agora e umas tantas sobre as quais, de tão sublimes e fugidias, não conseguirei jamais escrever. Só sentir.
São essas vezes, que as vezes, eu escrevo ... mesmo sem escrever ... em minha cabeça. Dentro de mim. Do coração.
Está na hora de retomar a escrita ...

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